quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A guerra contra o Irã já começou

Dois incidentes que aconteceram no último domingo – as alegações iranianas de que um veículo aéreo não-tripulado norte-americano havia sido derrubado, e uma explosão do lado de fora da embaixada britânica no Bahrein – podem não ter ligação alguma um com o outro. Mas eles parecem aumentar as evidências de que uma guerra secreta cada vez maior acontece entre o Ocidente e o Irã, e de que Teerã estaria retaliando com uma intensidade cada vez maior.

Perguntado se os Estados Unidos, em cooperação com Israel, estavam agora envolvidos numa guerra secreta contra o programa nuclear do Irã que poderia envolver o uso do vírus Stuxnet, explosões de instalações, e o assassinato ou rapto de cientistas, um aposentado membro das forças armadas dos Estados Unidos, que tem acesso aos dados mais recentes da inteligência norte-americana, não negou que tais operações estivessem acontecendo.

Perguntado sobre relatos de que o programa norte-americano teria começado ainda no governo de George W. Bush o ex- subsecretário de Estado Nicholas Burns, que comandou as relações dos Estados Unidos com o Irã durante o período, se recusou a comentar assuntos ligados à inteligência norte-americana.

Em setembro, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Fereydoun Abbasi-Davani, acusou o Reino Unido, Israel e os Estados Unidos de conduzirem ataques contra ele e outros cientistas iranianos. “Há seis anos o serviço de inteligência do Reino Unido começou a coletar dados e informações sobre meu passado, minha família, meus filhos”, declarou ele em Viena. Abbasi-Davani, que diz ter sido ferido na explosão de um carro-bomba em 2010, disse que os ataques foram realizados por Israel “com o apoio de serviços de inteligência dos Estados Unidos e da Inglaterra”.

Na semana passada, manifestantes iranianos invadiram a embaixada britânica em Teerã. Dominick Chilcott, embaixador do Reino Unido no país, depois afirmou que o ataque aconteceu “como o conhecimento e o apoio do Estado”. Então, no domingo, 4, o ministro do interior do Bahrein anunciou que uma explosão ocorrera dentro de um microônibus estacionado perto da embaixada britânica. Não há relatos de grandes danos ou de feridos.

Militares norte-americanos afirmaram em outubro, que agentes trabalhando para a Guarda Revolucionária do Irã, que exerce um controle cada vez maior sobre o regime de Teerã, estavam envolvidos em um plano para matar o embaixador saudita em um restaurante de Washington. O Irã negou as acusações. E então, no domingo, a guerra secreta ganhou novos contornos, quando a agência de notícias IRNA publicou que as forças armadas do país haviam derrubado um avião espião norte-americano que havia cruzado ilegalmente a fronteira oriental do país.

Respondendo aos relatos iranianos, o comando da OTAN no Afeganistão lançou um comunicado oficial no sábado: “O veículo aéreo não-tripulado ao qual os iranianos podem estar se referindo pode ser um avião desarmado norte-americano, usado para missões de reconhecimento aéreo, que voava sobre o oeste do Afeganistão no fim da semana passada. Os operadores do veículo perderam o controle do avião e vêm tentando determinar seu status”.

Fonte: Opinião e Notícia

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