segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Juiz indicia mordomo do papa por vazamento


Um juiz do Vaticano ordenou que o ex-mordomo do papa Bento XVI Paolo Gabriele seja processado por roubo. Ele é acusado de ter vazado documentos do apartamento particular do pontífice, fato que desencadeou acusações de corrupção dentro do Vaticano. Nos aposentos de Gabriele teriam sido encontrados, além de documentos do papa, um cheque de 100 mil euros para Bento XVI, uma pepita de ouro e uma tradução de Eneida, de Virgílio, do século 16. As acusações descritas na denúncia de 35 páginas incluem, pela primeira vez, um segundo empregado do Vaticano que também estaria envolvido no caso. Claudio Sciarpelletti, de 48 anos, especialista em computação, foi acusado de cumplicidade. Anteriormente, o Vaticano havia informado que Gabrielle era o único investigado.

Sciarpelletti é descrito no documento como amigo próximo de Gabriele, de 45 anos, com um papel limitado no caso. Ele passou uma noite na prisão depois que um envelope contendo material confidencial foi encontrado em sua escrivaninha.

O porta-voz do Vaticano, reverendo Federico Lombardi, disse a jornalistas que, com base nas leis do Vaticano, o papa poderá perdoar os dois acusados. Informou, porém, que não sabe ainda o que o pontífice fará. Lombardi disse que os dois homens provavelmente serão julgados em um único processo, mas não antes do fim de setembro. Isso porque o tribunal está em recesso até 20 de setembro.

Gabriele, que era encarregado de servir as refeições do papa e ajudá-lo a colocar suas pesadas vestes clericais, poderá ser condenado a uma pena de até seis anos de prisão. De acordo com o documento assinado pela acusação, ele admitiu ter se apossado dos documentos.

O caso vem incomodando o Vaticano desde janeiro, quando os documentos vazados começaram a surgir em jornais italianos e na TV, mostrando lutas internas de poder e dando de detalhes de uma suposta corrupção. Em maio, o jornalista Gianluigi Nuzzi publicou um livro contendo material aparentemente baseado em documentos roubados do escritório do papa.

De acordo com a acusação, Gabriele, que foi preso em maio, disse aos investigadores que se apossou dos documentos porque achava que o papa não sabia do “mal e da corrupção” que ele quis expor e eliminar. “Vendo o mal e a corrupção por toda a parte na Igreja, finalmente cheguei a um ponto em que não consegui mais me controlar”, afirmou Gabriele.

O ex-mordomo disse à acusação acreditar que “um choque, talvez por meio da mídia”, seria uma “maneira saudável” de trazer a Igreja de volta aos trilhos. Sob certos aspectos, teria dito aos investigadores, ele se via como um “espião” agindo em nome do Santo Espírito.

De acordo com a acusação, Gabriele contou que teria retirado documentos, cheque, pepita de ouro e a tradução da Eneida, de Virgílio, do escritório do papa por causa do “agravamento do meu problema”, sem especificar qual era a questão.

Fonte: Estadão

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